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Esses episódios de birra, nos quais as crianças parecem não ter consolo, fazem que os pais se angustiem, acabem esgotados e sem saber o que fazer. Muitas vezes, o desconcerto os leva a optar por táticas desaconselháveis que podem transformar a raiva da criança em algo crônico.

O tema das birras é uma consulta frequente no que diz respeito a crianças de 2 a 4 anos; por isso, tem importância especial dentro da psicologia infantil.

Apesar do estresse que esse comportamento pode gerar nos adultos, é preciso destacar que faz parte de uma etapa maravilhosa, repleta de descobertas e aprendizagem. Por isso, os pais têm necessidade de instruir-se para aproveitar bem esta fase.

Por que as crianças fazem birra?

As birras são episódios de raiva e descontrole nos quais a criança pode jogar-se no chão, bater nos objetos ou jogá-los, gritar, chorar, inclusive machucar a si mesma ou o adulto que a acompanha.

Este comportamento surge por volta dos 2 anos de idade e, se os pais souberem lidar com ele, desaparecerá dentro do processo natural de desenvolvimento do pequeno – em geral se torna menos frequente até os 3 anos.

Analisar as birras é analisar a criança de 2 anos, com suas particularidades: nesta fase, a criança quer ter o controle de tudo, deseja mais independência do que suas habilidades e segurança permitem, e desconhece suas limitações. Quer tomar decisões, mas não sabe como agir direito e não tolera restrições.

Ao não saber expressar seus sentimentos verbalmente, exterioriza sua raiva ou frustração com o choro e a birra. Tal comportamento não é perigoso, e pode até ser útil à criança, mas os pais precisam saber lidar com ele.

Os principais fatores que desencadeiam as birras são:

– Desejo de independência

– Inconformidade diante de uma norma ou negativa

– Vontade de chamar a atenção

Guia para pais desesperados

Sendo este o comportamento típico da fase dos 2 anos, é importante aplicar uma série de estratégias que ajudam a controlar a situação. Se os pais souberem lidar com isso com naturalidade, os filhos ganharão doses importantes de autocontrole e atitude proativa diante da frustração.

Algumas recomendações:

– Não dar atenção à criança quando está fazendo birra. Não tentar acalmá-la. Não gritar nem bater nela. Mantenha a calma, demonstrando que quem tem o controle é você, o adulto.

Alguns especialistas recomendam isolar a criança enquanto faz birra, deixando-a em um lugar no qual não corra perigo, por um tempo curto (de 2 a 5 minutos), até que se tranquilize.

– Conservar regras, limites, normas, horários, ainda que não sejam do total agrado das crianças.

– Em hipótese alguma ceder aos caprichos das crianças. É preciso permanecer firme, ainda que o choro esteja esgotando sua paciência. Se você não fizer isso, estará ensinando seu filho a fazer birras para conseguir o que quer.

– Quando as birras acontecem em lugares públicos, com mais razão os pais devem demonstrar sua autoridade, pois estes cenários deixam os pais mais vulneráveis e, diante da pressão indireta do público, podem acabar cedendo. Se a criança vir firmeza nos pais, se tranquilizará mais rapidamente.

– Quando a criança se acalmar, é aconselhável abraçá-la, pegá-la no colo e conversar com ela, olhando sempre em seus olhos e adaptando-se à sua estatura; dizer-lhe o quanto você a ama, mas que não pode permitir esse tipo de comportamento.

Ainda que seja normal desesperar-se diante das birras infantis, lembre-se de que a criança se sente muito pior do que você ao ver-se com estas reações que não é capaz de controlar. Não hesite em demonstrar firmeza e lembre-se sempre: a palavra “não” também pode ser pronunciada pelo amor!

Fonte: Aleteia